CIETT 2010
Trabalhadores, empresas e prestadores de serviços: diálogo em busca de denominador comum
Esforço conjunto procura o ponto de equilíbrio para o desenvolvimento do setor
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| Diálogo social em debate |
Inteiramente dedicado ao debate franco, o painel que deu início ao segundo dia do Congresso cumpriu efetivamente com seu papel social e político no que diz respeito à busca por um ponto de equilíbrio, capaz de impulsionar a Terceirização rumo ao futuro e reduzir os entraves existentes. Esse complexo diálogo poderia ser sintetizado em uma frase. A Terceirização não existe se não for apoiada nos pilares: trabalhadores, prestadores e tomadores de serviços, convivendo e prosperando com base em lei que beneficie a todos.
Foi partindo dessa realidade que representantes de cada um desses setores foram convidados a participar de um espaço democrático, no qual predominou a troca de ideias. Nesse ambiente, Denise Mota, secretária nacional de Relações de Trabalho da Central Única dos Trabalhadores (CUT), contextualizou a evolução das relações de trabalho desde a década de 70. “Em determinado momento, a Terceirização deixou de ser uma atividade de apoio e passou a ser estratégica”, enfatizou.
Segundo a secretária da CUT, o surgimento de um mercado de trabalho heterogêneo ocasionou a transferência do foco da contratação de terceiros pela especialização do serviço para a mera redução de custos, algo bastante criticado pelas Centrais Sindicais na ocasião.
Embora as prestadoras de serviços especializados desempenhem importante função social, por meio da empregabilidade formal de milhões de trabalhadores anualmente em todo o Brasil, as dificuldades enfrentadas devido à ausência de regulamentação foram apontadas pelos palestrantes como o principal obstáculo que deve ser enfrentado por trabalhadores e empresas.
Para o presidente da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), o advogado Cláudio Montesso, o emprego de terceiros com o intuito de burlar a contratação regular, atitude praticada por empresas fraudulentas e despreocupadas com o trabalhador, existe e precisa ser repelido. “A visão do Poder Judiciário tem sempre como referência a violação da lei, pois são inúmeros os casos que vão a julgamento”, explicou.
Contudo, durante palestra no dia anterior, outro magistrado, o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Pedro Paulo Manus, já havia questionado qual seria a porcentagem de prestadoras, dentro do total das empresas da mesma categoria, com algum problema na Justiça do Trabalho. A resposta foi dada pelo próprio ministro. “Uma parcela semelhante à dos outros setores da economia. É preciso separar o joio do trigo”, disse referindo-se à atuação ilícita de alguns que, segundo ele, nada têm em comum com os empresários sérios da Terceirização.
RESPONSABILIDADE
A tomadora de serviços deve ser responsável, no momento da contratação de uma prestadora, por verificar sua confiabilidade e conformidade com os padrões legais e de qualidade. Segundo Magnus Apostólico, superintendente de Relações do Trabalho da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), quem firma o contrato tem consciência de que qualquer incoerência poderá acarretar prejuízos. Para ele, a Terceirização deve ser vista como uma estratégia de negócios. “O setor propicia parcerias entre empresas com os mesmos interesses e permite o acesso de trabalhadores a grandes organizações”, defendeu.
Emerson Casali, gerente executivo de Relações do Trabalho da Confederação Nacional da Indústria (CNI), fez questão de ressaltar o contexto econômico atual, do qual a Terceirização faz parte e confirma ser indispensável para a permanência competitiva das empresas no mercado.
A abertura do mercado, a partir da década de 90, propiciou significativa mudança na política de preço. Antes, o custo de produção era repassado integralmente ao preço final. Hoje, afirmou, o preço é dado pelo mercado e, por isso, há a necessidade de administrar o custo para não deixar que o preço ultrapasse os valores praticados pela concorrência. “Empresas lucrativas empregam mais pessoas e favorecem a economia, pois o consumo aumenta”, defendeu Casali.
REGULAMENTAÇÃO
A urgência de uma legislação que regulamente especificamente a Terceirização foi tema debatido em profundidade durante o painel. Sergio Luiz Leite, secretário da Força Sindical, admitiu que existe consenso entre a classe trabalhadora e a classe empresarial em alguns pontos, como a luta pela redução da informalidade e a proteção dos direitos do trabalhador, por exemplo. “As Centrais estão dispostas à negociação. O debate é amplo e pode até ir ao confronto, o que não é necessariamente improdutivo”, ponderou Leite.
A existência de uma regulamentação para o setor contemporânea e adequada à realidade que empresas e trabalhadores vivem é também uma aspiração no exterior, conforme relato de palestrantes e representantes de entidades e empresas presentes ao Congresso. “Os países têm firmado acordos de cooperação para mostrar o quão importante são a ratificação da Convenção 181, a qualificação e treinamento de pessoas e o combate a condições precárias de trabalho”, resumiu Giedre Lelyte, da Union Global (UNI), Federação suíça composta de 900 sindicatos e atuação globalizada.
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